BusinessPsicologia

Saúde emocional para gestores em tempos de crise

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“Não lembro a última vez que eu tirei férias! Comecei 2020 acreditando que teria este problema resolvido este ano. A estratégia da minha empresa estava alinhada, tudo estava rodando do jeito que tinha que ser. E então, ‘boom’, algo totalmente inesperado aconteceu e nos tirou dos trilhos. Tudo precisou ser pensado novamente e agora eu não consigo dormir!”. Se você se identifica com este discurso, este texto é para você.

Há poucos dias, em uma conversa com um diretor de empresa, falávamos sobre negócios e esbarramos neste tema – a imprevisibilidade do mundo e como ela afeta não apenas a saúde dos negócios, mas a saúde do gestor. Lidar com desafios não é uma tarefa fácil e, para aquele que, além de suas questões pessoais, carrega sobre si a responsabilidade de guiar uma organização, o peso pode ser ainda maior.

Muitos são os gestores que, em tempos de crise, tem a sua vida pessoal abalada. Enfrentam problemas conjugais e familiares, desenvolvem dificuldades de sono, atenção, problemas com álcool ou até depressão e outros transtornos psicológicos. E além de tudo isso – e por influência destas questões – lidam com pensamentos devastadores e fortes críticas internas, questionando a própria habilidade estratégica e até a sua capacidade de liderança.

Na área da Psicologia há um conceito que explica a influência dos processos mentais nos resultados humanos: é o que chamamos de Modelo Cognitivo (Beck, 1997). De acordo com este modelo, os nossos pensamentos, emoções e comportamentos estão intimamente relacionados e a forma como lidamos com cada um deles influencia a maneira como uma situação é resolvida.

O cérebro humano é equipado com um mecanismo de luta ou fuga, o qual, na presença de estímulos ameaçadores (por exemplo, uma crise), ativa o Sistema Nervoso Simpático e libera substâncias que auxiliam o indivíduo a escolher entre lutar ou fugir – o chamado estresse. Essa decisão de escolha é, na maioria das vezes, automática e baseada não apenas na herança genética, mas nas experiências prévias e interpretações que fazemos da realidade.

É por causa deste mecanismo e das interpretações que naturalmente nós, humanos, fazemos, que muitas pessoas – e nesse caso, gestores – reagem de forma mais ou menos saudável, ou adaptativa, em situações estressantes. Muitos líderes, ao se depararem com uma crise, fogem da situação. Recorrem

ao álcool e outras drogas para amenizar o sofrimento, se escondem em suas armaduras e não permitem que ninguém chegue perto. Deixam de ir a empresa e resistem a conversar com os seus funcionários ou sobre qualquer assunto que “toque na ferida”.

Outros, munidos de muita adrenalina, lutam desesperadamente para sobreviver. Exigem das suas equipes além do limite, se utilizam do perfeccionismo e – à custa de outros aspectos importantes das suas vidas e da estratégia organizacional – passam horas e horas, dias e dias no escritório buscando encontrar a solução mágica para que tudo volte a ser como antes, ou melhor, ideal.

A verdade é que, em tempos de crise, muitas coisas devem ser revistas, mas não apenas os custos, o desempenho, a equipe, o marketing, a estratégia. Também a medida do que é “ideal”!

Se o ideal de liderança era antes a pura racionalidade, chegou a hora de equilibrar com a vulnerabilidade. É tempo de se comunicar mais, de estar mais próximo, de avaliar onde se está e quais são as possibilidades dentro deste cenário. Quanto é necessário correr (fugir)? Quanto é necessário lutar? Será que a escolha (o comportamento) que você tem feito enquanto líder, enquanto gestor, está produzindo resultados satisfatórios para todos os envolvidos?

Comece respondendo esta pergunta por você! É tempo de implementar na estratégia o cuidado com a sua saúde, com as suas emoções, com os seus relacionamentos, de se conectar com os seus valores mais profundos e encontrar neste equilíbrio o propósito pelo qual você faz o que faz.

O mundo é, dentro dos seus limites de previsibilidade, imprevisível – e isso não pode ser mudado. Portanto, adapte-se! Alterne a sua forma de fazer, avalie os seus comportamentos com base nos seus pensamentos e sentimentos e questione se eles são de todo verdade. Você não é o Todo Poderoso e nem tudo é sua responsabilidade.

Para o bem da sua saúde – e, como vimos, dos seus negócios – encare o trabalho como uma expedição às montanhas. Uma hora você sobe, outra você desce. Há sim, muito valor em vencer e alcançar o topo, mas não esqueça: aproveite a caminhada!

Laura Essvein, Partner – Analista de Contratação DNA Recursos Humanos


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